Sugar Kane – A Máquina Que Sonha Colorido

Por Wladimir Cruz (zonapunk)

Chega uma hora em que uma banda amadurece. Com algumas isso se reflete musicalmente com uma sonoridade mais pop, mais centrada; em outras isso pode ser sentido quando se encontra sua real vocação. O caso do Sugar Kane é este segundo.
Depois de explodir com “Continuidade Da Máquina”, navegar por mares (quase) experimentais em “Elementar”, e fazer um disco catchy (“D.E.M.O.”), o reformulado SK volta aos seus primórdios, e onde se sente mais a vontade, no hardcore punk.
O álbum abre com a faixa título, e faz dobradinha com o single “Todos Nós Vamos Morrer”, ambas composições que nos remetem logo ao NOFX, tanto no riff quanto no espírito. “Um Pouco De Tudo”, faixa seguinte, assusta, é pop (em demasia até), mas tudo volta ao normal com “Auto-Destruição”, faixa de sing-along e espírito/som hardcore.
Será a crise dos 30? Pode ser, mas fato é que durante boa parte do disco a temática eco-politico-social-mea-culpa aparece em evidência, dando um norte mais adulto pro Sugar Kane 2009. “Sonhe Colorido” segue o pique Fat Wreck e mantém o disco em alta, já “Revolução” deveria ser o single de estréia, de letra e refrão fortes, tem tudo para ser daquelas que a molecada vai cantar e bradar com pulsos em riste.
Dai pra frente – aqui é a metade do disco – é jogo ganho, e o ouvinte fã vai se esbaldar, com destaque ainda para “Seus Ideais” (melhor música/letra do disco), “Pedras” (que conta com participação da vocalista do Copacabana Club e conterrânea dos SKs, Camila), “Nossas Diferenças” (ecos de LagWagon aqui) e “Viva Livre Ou Morra” (canção um tanto arrastada, com participação do vocalista Teco do Rancore).
A letra de “A Máquina Que Sonha Colorido” brada sobre manter-se, sobre resistência, e talvez seja esse o grande lance de um disco lançado gratuitamente, via MySpace, no dia da independência brasileira. Corajosos, nadando contra a maré, mas caindo (novamente) nas graças de um público que enxerga em bandas como eles, Rancore, Dead Fish etc, o que há de hardcore punk hoje na cena.
Rótulos e devaneios a parte, o Sugar Kane está maduro, mas com o frescor hardcore que a molecada quer. E a máquina não vai parar, mesmo.