Cinedisco – Baile De Gramophone

Inovar é preciso, já dizia a máxima, e agora, mais do que nunca, com uma indústria fonográfica derrotada e um cenário musical nacional independente sem criatividade, infelizmente, em sua maioria.
Em tempos nebulosos como este, os cariocas do Cinedisco, em parceria com a Ideal Records, inovam e chegam com um produto de fazer brilhar os olhos.
O novo disco da banda, além da “convencional” parte musical da obra – a qual falaremos em breve, trás ainda uma embalagem em formato livreto, com artes do americano Andrew Zarou e uma explicação sobre o que é o circuit bending, ou seja, a modificação de instrumentos/eletrônicos os quais o Cinedisco faz uso em suas canções. Na edição de luxo do álbum, ainda é possível receber um brinde a mais, um pote de lego (!!) personalizado da banda. Utilidade zero, fetiche dez.
Um kit deste porte já valeria o destaque, mas o conjunto vai além, e com uma campanha de marketing pesada faz juz ao conteúdo musical do álbum.
Composições pop, de refrões radiofônicos, se misturam a linguagens rebuscadas criadas pelo supracitado circuit bending, theremins, sintetizadores, samplers, teclados e quetais. Atmosferas viajantes encontram músicas simples de harmonias recheadas e letras que caem fácil na boca da molecada.
As referências pop tão encontradas no disco anterior, aqui diminuiram, deixando o álbum com mais cara de obra coesa, com conceito, sem ser conceitual.
“Baile de Gramophone” é um produto de primeira, de fazer inveja pela criatividade e pelo cuidado com todos seus detalhes. Mesmo os que não gostam da banda irão respeitar o nível (altíssimo) que a arte destes cariocas chegou.

Por:  Wladimyr Cruz